domingo, 4 de julho de 2010

atividades com conjunções, adverbios e interpretação de texto

A crônica do homem nu (Fernando Sabino)
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O Homem Nu

Fernando Sabino


Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem
aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não
trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir
rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente
fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem
ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar
um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava,
resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço
para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com
cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos
até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito.
Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos,
porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo,
impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à
espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água
do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa
a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos
dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o
ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da
televisão!

Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o
elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a
segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos,
regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor,
fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia
executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se
aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador,
apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada
passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele
respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.

Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele
ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu,
desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu
apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka,
instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime
do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares,
obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a
momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o
botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.
Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir
ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a
porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já
sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.

Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente
cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era.
Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se
lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora,
bateram na porta.

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.

Fique por dentro:
Fernando Tavares Sabino (Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004) foi um escritor e jornalista brasileiro. Durante a adolescência, foi locutor de programa de rádio e começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos em revistas da cidade, conquistando prêmios em concursos.
No início da década de 1940, começou a cursar a Faculdade de Direito e ingressou no jornalismo como redator da Folha de Minas. Seu primeiro livro de contos, Os grilos não cantam mais, foi publicado em 1941, no Rio de Janeiro.

I- Identifique alguns elementos da Narrativa:

1) Quais São os Personagens do texto?
2) Descreva as características dos personagens.
3) Onde se passa a história?
4) Quando se passa a história?
5) Descreva com suas palavras o clímax da história.
6) O texto é:
( ) Poema
( ) crônica
( ) e-mail

7) Após a leitura da crônica, faça uma resenha descritiva do texto.


II- Classifique o sujeito e circule o predicado nas orações:

a) A loja permaneceu fachada.
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b) O pasto e a roça estão plantados.
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c) Chovia muito naquele verão.
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d) Fomos à festa do Divino Espírito Santo.
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III- Classifique os advérbios das frases abaixo.

e) Faz muito sol.
( ) advérbio de tempo
( ) advérbio de modo
( ) advérbio de intensidade

f) Outrora atava-se o cadáver ao homicida para expiação da culpa.
( ) advérbio de tempo
( ) advérbio de modo
( ) advérbio de intensidade

g) Você pode sair, mas não volte tarde. .
( ) advérbio de tempo e afirmação.
( ) advérbio de modo e intensidade.
( ) advérbio de negação e tempo

d) Com certeza, amanhã, iremos à sua festa.
( ) advérbio de tempo, afirmação
( ) advérbio de afirmação e tempo
( ) advérbio de afirmação e intensidade

IV- Classifique as conjunções em destaque dos seguintes períodos.

a) Alegra-te, POIS estou aqui.
Conjunção Coordenativa _______________________
b) Meus atiradores não fumam, NEM bebem.
Conjunção Coordenativa _______________________

c) Os camponeses estão em greve, LOGO faltará alimentos.
Conjunção Coordenativa _______________________

d) João bebe, OU desocupa o copo.
Conjunção Coordenativa _______________________

e) Nunca tínhamos estado lá, mas encontramos facilmente o lugar.
Conjunção Coordenativa _______________________

V- Complete com EU ou MIM.
a) Não havia vaga para ____ trabalhar.
b) Esta correspondência chegou para ____.
c) Essa revista é para ___ recortar.
d) O que Jocimária fará para ____ no meu aniversário?

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